Christina Cupertino


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Fenomenologia e arte: o trabalho com Oficinas
Christina Cupertino
2006-01-01

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Essa apresentação trata do trabalho com Oficinas de criatividade em Psicologia, e pretende abordar alguns dos fundamentos dessa prática, ancorados a alguns exemplos retirados de intervenções específicas. O conhecimento psicológico surgiu e se desenvolveu com a intenção de constituir-se como ciência, inserindo-se no paradigma tradicional característico da modernidade, baseado no que Heidegger nomeou como “princípio de razão”.  Essa perspectiva determinista define que tudo que é tem uma razão de ser, e mesmo quando não estamos procurando razões, implicitamente acreditamos em sua existência. É a partir disso que escutamos o outro/cliente presente em nosso fazer cotidiano: interpretando o que ouvimos a partir de um quadro de referências, explicando motivos e retraçando procedências. Quando algo novo aparece, somos imediatamente capazes de determinar a qual categoria esse evento pertence. Outras formas de escuta do outro, além dessas, são possíveis segundo o pensamento fenomenológico, que afirma que o ser do homem torna-se acessível não pelo sucessivo desdobramento progressivo de seus atributos em direção à sua essência, a alguma coisa que o antecede e define. Pelo contrário, no estado que Heidegger chama de “serenidade”, de quietude respeitosa e de suspensão da busca das razões, podemos permitir que os fenômenos aconteçam numa multiplicidade de sentidos, muito deles não formuláveis pela lógica racional, enigmáticos. A escuta que considera a condição enigmática do não dito favorece o surgimento de outros modos de expressão, de outras falas, entre as quais a artística. Parte do trabalho com Oficinas de Criatividade em Psicologia deriva dessas afirmações, e se baseia no uso de recursos expressivos de natureza artística como forma de acesso à experiência humana. Conduzidas em grupo ao longo de um número preestabelecido de encontros, essas oficinas criam o espaço necessário à quietude que favorece o fértil desdobramento de sentidos, por meio de modos de falar que não definem o que as coisas são, não lhes dão um significado único, imediato e final. Por meio da produção ou da fruição de obras artísticas, os participantes das oficinas habitam um tempo e um espaço diverso do dia a dia obrigatoriamente redutivo e categorizante, e podem dar sentido/direção à experiência vivida, entregando-se a esse transporte que permite a irrupção do movimento de sentidos.
CUPERTINO, C.M.B.
Fenomenologia e Arte: o trabalho com Oficinas.
Anais do 8º Congresso Brasileiro de Psicoterapia Existencial, 2006.






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